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  Rio de Janeiro, domingo, 5 de setembro de 2010
Gran Torino: uma lição de vida
domingo, 22 de março de 2009 por: WILLIAM DOBBINS
Ele pode usar uma arma e uma câmera com a mesma intensidade. Foto: divulgação
Ele pode usar uma arma e uma câmera com a mesma intensidade. Foto: divulgação
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Dizem que certas coisas nunca mudam. No caso do ator e diretor americano, Clint Eastwood, a máxima não se justifica. A volta do mestre as telas de cinema encarnando o veterano de guerra [Walt Kowalski] pode impressionar aqueles que pensam que o jeito durão de um ex-combatente da Guerra da Coréia não tem mais nada a ensinar aos mais novos. Gran Torino é mais que um simples filme é uma lição de vida contemporânea que revela diversos aspectos dos Estados Unidos e sua complexa rede social, diga-se de passagem, muito bem desenhada por Eastwood.

Preconceito, indiferença, orgulho, glória e valores que cada vez mais se perdem com as parafernálias tecnológicas e as drogas, que isolam e destroem a sociedade americana podem ser compreendidas no filme dirigido e protagonizado pelo cineasta de 78 anos de idade. Mesmo causando impacto com um estilo diferente como em Menina de Ouro [2004], Eastwood volta a surpreender em Gran Torino.

TRANSIÇÃO DE CULTURAS EM SOLO AMERICANO

Todo o filme se baseia - acreditem - em um carro. Mas este não é qualquer carro. É um Ford Gran Torino, de 1972, dos tempos áureos da indústria dos Estados Unidos em plena expansão mundial da venda do sonho americano [american way of life]. Passados os anos, Walt perde sua companheira e se vê sozinho morando em um bairro não mais ocupado por “americanos”. Cercado de orientais, latinos e negros, o personagem levanta uma série de questões sobre as diferenças culturais, étnicas e sociais. Em companhia de sua fiel cadela da raça Labrador [Daisy], o militar aposentado vive os dias em meio às visitas regulares ao seu barbeiro ítalo-americano e do seu amigo construtor irlandês.

EM DIREÇÕES OPOSTAS

Vizinho de imigrantes Hmong [sudeste asiático], o veterano tem dificuldades de compreender o estilo de vida indisciplinado e “curioso” dos que ele constantemente chama no filme de “japas”. As coisas mudam de figura quando uma gangue começa a entrar na vida de Walt. O jovem vizinho, Thao [Bee Vang], que é primo do líder da quadrilha é forçado a roubar o Gran Torino. Tentando viver em paz e sem perspectivas de vida, Thao falha em sua missão despertando a ira dos marginais. O detalhe é que Walt “salva a pele” do rapaz quando o parente volta para se vingar. A partir daí, o ranzinza de poucas palavras se torna o herói da comunidade e se aproxima daqueles que um dia puxou o gatilho no passado em nome da América. As gotas de sangue e lágrimas deixadas na Coréia por Walt prometem invadir os olhos de quem assistir o final inesperado de Gran Torino.
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