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  Rio de Janeiro, domingo, 5 de setembro de 2010
Protógenes: o Tiradentes moderno
terça-feira, 14 de abril de 2009 por: WILLIAM DOBBINS
Em vez de Dantas, Protógenes tem de dar explicações. Foto: divulgação
Em vez de Dantas, Protógenes tem de dar explicações. Foto: divulgação
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Depois de ficar conhecido nacionalmente pela prisão do banqueiro Daniel Dantas, do ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta, e do investidor Naji Nahas sob as acusações de gestão fraudulenta e formação de quadrilha, na fase conclusiva da operação Satiagraha, o delegado da Polícia Federal [PF] Protógenes Queiroz vai vivendo seus dias de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Assim como o inconfidente, o fato de ir contra os interesses da “monarquia” pode resultar no “enforcamento moderno”: leia-se demissão.

O delegado foi notificado nesta segunda-feira [13] de que está afastado de suas atividades por tempo indeterminado, até a conclusão de processo disciplinar que responde “em virtude de participação em atividade político-partidária”. A PF alega ser uma medida administrativa automática.



EMARANHADO DE ATAQUES E CONTRA-ATAQUES DE INTERESSES DO PODER

O processo instaurado pela Corregedoria do órgão em Minas Gerais foi motivado pela participação de Protógenes em comício do candidato a prefeito de Poços de Caldas [MG], Paulo Tadeu Silva D'Arcádia [PT]. Durante o afastamento, o delegado continuará a receber seus vencimentos, mas, ao fim do processo, ele poderá ser demitido. O ex-coordenador da Satiagraha disse nesta terça-feira [14] que irá recorrer da decisão do diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, que segundo o delegado, se baseou em uma lei da época da ditadura que impede que policiais participem de reuniões ou comícios de caráter político.

A fundamentação para o afastamento de Protógenes veio de uma fita gravada em que ele teria prometido abrir uma delegacia da PF na cidade mineira, durante sua participação no comício do candidato a prefeitura de Poços de Caldas. Indignado, o representante da lei afirmou que vai continuar resistindo as pressões contra ele na esfera judicial. Protógenes descartou em entrevista a Folha de São Paulo que a ação da PF era “praxe”.

UMA VOZ ISOLADA POR TRÁS DE UMA MASSA PERPLEXA

Durante algumas das suas declarações a imprensa, Protógenes chegou a desabafar dizendo que a idéia de desqualificar o seu trabalho poderia beneficiar Dantas e outros presos na Satiagraha. “Eu vou reeditar tudo o que antes falei à população, a nossa indignação quanto aos fatos veiculados, a inversão dos papéis que está ocorrendo. Os investigadores passaram a ser investigados numa correlação de forças jamais vista no país”, afirmou o delegado momentos antes de depor a CPI dos Grampos em Brasília.
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