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  Rio de Janeiro, domingo, 5 de setembro de 2010
Angra dos Reis: técnicos da Defesa Civil estavam em morro momentos antes de desabar
terça-feira, 5 de janeiro de 2010 por: REDAÇÃO
Catástrofe abala moradores de Angra dos Reis. Foto: Camila Alfena
Catástrofe abala moradores de Angra dos Reis. Foto: Camila Alfena
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Técnicos da Defesa Civil Municipal de Angra dos Reis estavam no Morro da Carioca no momento em que uma encosta deslizou, matando mais de 20 pessoas. Uma equipe de sete pessoas havia ido ao local no início da madrugada da última sexta-feira, devido a um deslizamento pequeno, que provocou o desabamento de uma casa, sem vítimas, bem próximo ao local onde minutos mais tarde ocorreria o desastre.

Os agentes retiraram moradores das casas do entorno e se preparavam para deixar o morro, quando um forte estrondo foi ouvido. Era o deslizamento maior, que provocaria o soterramento de várias casas no alto do morro e deixaria mais de 20 mortos.

A agente da Defesa Civil Thais dos Reis era uma das técnicas que estavam no Morro da Carioca no momento do deslizamento. Ela conta que quando foi ao morro atender ao desabamento de uma única residência, não imaginava que fosse presenciar um desastre.

“Quando começou a chuva, acreditávamos que teríamos problemas sim, mas não dessa grande proporção. Já vinha chovendo há dois dias, com chuva forte. Então, o solo já estava encharcado e imaginávamos que íamos ter trabalho, mas não nessa grande proporção”, disse.

SOBREVIVENTES

Ao ouvir o barulho do deslizamento, os técnicos da Defesa Civil voltaram ao local onde toneladas de terra haviam descido do alto do morro. O primeiro trabalho foi retirar os moradores das casas que ainda não tinham sido afetadas pelo desastre. Em seguida, dois sobreviventes foram encontrados.

“Quando estávamos manobrando o carro para ir embora, ouvimos o barulho e aconteceu o deslizamento principal. Daí fomos para o local, começamos a tranquilizar as pessoas e tentar ver se havia vítimas a serem resgatadas o mais rapidamente possível. As pessoas estavam em pânico, achando que o morro ia cair”, afirmou a agente da Defesa Civil.

PRIMEIRA VOZ

A primeira vítima socorrida com vida no Morro da Carioca foi Maria da Glória da Silva, de 34 anos. Ela havia saído de casa e estava na rua, se dirigindo à casa do pai para ver se tudo estava bem com ele, quando a encosta desabou.
“Quando eu desci, veio aquele estrondo todo. Aí a casa do vizinho desabou, me pegou e me enterrou. Fiquei presa da cintura para baixo. Eu não podia sair. Eu gritava muito por ajuda e ninguém escutava, porque era muita gente gritando. Teve uma hora que eu pensei que ia morrer e pensei: 'Não vou gritar mais'”, disse.

BUSCAS CONTINUAM

Os bombeiros retomaram, por volta das 8h30 de hoje [5], as buscas por corpos no Morro da Carioca, no centro de Angra dos Reis. Desde sexta-feira, quando fortes chuvas provocaram o deslizamento de um barranco no alto do morro, 21 pessoas foram resgatadas em meio ao barro e a destroços de casas.

Pelo menos uma menina de 11 anos está desaparecida e os bombeiros acreditam que ela possa estar sob os escombros. Duas retroescavadeiras auxiliam o trabalho de resgate no alto do Morro da Carioca.

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